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O que é uma 'zona-tampão', como a que Israel quer expandir no Líbano

Israel ataca ponte estratégica no sul do Líbano; veja VÍDEO O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira (25) que seu Exérc...

O que é uma 'zona-tampão', como a que Israel quer expandir no Líbano
O que é uma 'zona-tampão', como a que Israel quer expandir no Líbano (Foto: Reprodução)

Israel ataca ponte estratégica no sul do Líbano; veja VÍDEO O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira (25) que seu Exército irá expandir a "zona-tampão" no Líbano. No dia anterior, o Ministro da Defesa israelense, Israel Katz, já tinha dito que pretendia assumir o controle de uma área de 30km no sul do país. As declarações representam uma escalada na ofensiva terrestre de Israel no Líbano e aumentam os temores de que uma invasão em larga escala pode estar por vir. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Israel diz que a criação e expansão dessa "zona de segurança" seria para proteger a sua população do Hezbollah, grupo extremista libanês. A área iria até as proximidades do rio Litani, que fica cerca de 30km ao norte da fronteira com Israel (veja no mapa abaixo). Nos últimos dias, Israel destruiu ao menos cinco pontes no rio Litani (veja uma das explosões no vídeo acima). As hostilidades entre Israel e o Hezbollah foram retomadas no começo de março, desencadeadas pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, aliado do Hezbollah. O conflito já fez com que mais de 1,2 milhão de libaneses tivessem que deixar as suas casas. Rio Litani, no sul do Líbano g1/Thalita Ferraz Mas essa não é a primeira vez que Israel estabelece uma zona-tampão no Líbano. Quando o país invadiu o Líbano em 1982, ele manteve uma zona-tampão entre 10 e 20 km até a sua retirada completa em 2000. Novos conflitos na região fizeram com que, em 2006, a ONU criasse a Resolução 1701. Ela usou o rio Litani como referência para criar uma zona-tampão, estabelecer outro cessar-fogo e determinar que o Hezbollah deveria se retirar de áreas no sul. Mas Israel acusa o Hezbollah de não cumprir a resolução. Mas afinal, o que é uma zona-tampão? A zona-tampão é uma área entre duas ou mais potências adversárias, que tem como objetivo separá-las fisicamente, segundo o ScienceDirect, base de dados da editora Elsevier, focada em pesquisa científica. Assim como o nome diz, ela tem a função de criar uma barreira física, um "tampão" entre dois lados. Em inglês, ela é chamada de buffer zone, ou seja, zona de amortecimento. "A zona-tampão pode ser sem tropas ou ter presença armada de um ou ambos os lados do conflito. Além disso, ela pode ser temporária ou permanente", explica o professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard Vitelio Brustolin. Um exemplo de zona-tampão permanente é a zona desmilitarizada da Coreia (DMZ, na sigla em inglês), segundo o especialista. "Ela foi criada após a Guerra da Coreia em 1953 e separa Coreia do Norte da Coreia do Sul. Ela tem cerca de 250km de extensão e é uma das fronteiras mais militarizadas do mundo", descreve. O especialista também destaca que "zona-tampão" não é um termo oficial, ou seja, não é definido por uma regra internacional específica. Apesar disso, ele é comumente usado no contexto político-militar e acaba sendo indiretamente regulado por leis internacionais. O motivo é que zona-tampão é um termo guarda-chuva que, na prática, pode significar diferentes formas de ocupação dessa faixa. Ela pode ser, por exemplo, semelhante a uma zona desmilitarizada, algo regulado pelas Convenções de Genebra, segundo o especialista. ➡️Além disso, para ser considerada legítima, a zona-tampão precisa ser resultado do acordo entre as duas partes, segundo Brustolin. "Ela precisa do consentimento dos Estados envolvidos e precisa passar, depois, pelo órgão de segurança da ONU", explica. Ele destaca também que existe a necessidade de respeito à soberania. "No caso da zona-tampão que Israel quer criar no Líbano, ela seria dentro do território libanês, e precisaria do consentimento do Líbano para ser considera legítima", diz. Coluna de fumaça sobe em região costeira de Beirute, capital do Líbano, após bombardeio israelense em 17 de março de 2026. REUTERS/Mahmoud Hassano Mais de mil mortes e 1 milhão de deslocamentos Desde a retomada do conflito entre Israel e o Hezbollah, o Exército israelense tem bombardeado diariamente o país. O confronto já gerou mais de mil mortes e fez mais de um milhão de pessoas deixarem as suas casas, segundo autoridades. A população está aterrorizada. Uma das famílias atingidas foi a de Abbas Qasem, de 55 anos. Ela contou à AFP que a sua casa foi complementarmente destruída em um ataque realizado nesta terça-feira (24). "Não sobrou nada, tudo queimou", disse. "O que eu fiz para merecer? Sou apenas uma pessoa comum", acrescentou, chorando, assim como sua esposa, ao descobrir a devastação em seu apartamento. Em Saïda, principal cidade do sul do Líbano, um ataque atingiu um carro na manhã da quarta-feira (23) e matou duas pessoas, incluindo um socorrista, perto da orla marítima onde deslocados dormem em seus veículos, segundo o ministério. “Eu nunca tinha saído da minha casa até agora”, disse à AFP Moustapha Khairallah, refugiado em Saïda. Mas “eles estão atacando cada vez mais civis... Fui obrigado a sair”, acrescentou o idoso, apoiado em duas bengalas. Nesta semana, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que os moradores do sul do Líbano que deixaram suas casas não devem retornar: "Não retornarão ao sul do rio Litani até que a segurança dos moradores do norte de Israel seja garantida”, afirmou. Advertência da ONU sobre o Líbano Nesta quinta (25), o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o "modelo de Gaza não deve ser replicado no Líbano". Guterres disse que o Hezbollah deve parar de lançar ataques contra Israel e que Israel deve cessar suas operações militares e ataques no Líbano, que atingem os civis com maior intensidade. Veja mais: VÍDEO: prédio inteiro desaba em Beirute após ser atingido por míssil israelense Guerra está 'fora de controle' e pode se alastrar, diz ONU